Terceiro título, SonetILUSTRA, chega ao mercado
Que questões existencialistas podem ser expressas através de sonetos, suas rimas e métricas não é uma novidade extrema, mas temas como aquecimento global, por exemplo, conseguem ser traduzidos por este gênero literário e ainda juntar ilustrações como forma de olhar o mundo? Segundo Eduardo Maciel, autor do livro SonetILUSTRA (Autografia), sim.
O livro - vencedor dos prêmios Troféu Literatura, como melhor livro de poesia do ano, e FeLiNa (Festival do Livro Nacional) como melhor livro do ano por voto popular, ambos em 2020, - assimila sonetos do autor com ilustrações do artista visual Robson Sark.
Um dos objetivos do livro é fazer tantas associações quanto possíveis entre o que o autor escreve e a interpretação imagética desse texto. Os leitores também são convidados a sugerir outros desenhos para os sonetos ou, por que não, sonetos para os desenhos?
SonetILUSTRA é o terceiro título de uma maratona de sete que devem ser finalizadas até 2022 (com 50 sonetos cada e que podem ser lidos em ordem aleatória, exceto no volume 7º, onde os sonetos seguem uma ordem cronológica de acontecimentos que serão encenados em palco) e dedica-se ao resgate cultural dos sonetos na literatura brasileira, nas 20 formas de concepção catalogadas internacionalmente desde o século XIII. O autor acredita que o resgate deve acontecer na interface com outras artes pela peculiaridade que os sonetos têm em relação à sua forma e ao conteúdo.
O Projeto dos livros de soneto contempla os polares, franceses, shakespearianos, heterométricos, monorrítmicos e petrarquianos e o inédito soneto carioca, criado pelo autor. "Me inspirei na rima via bossa nova, só que na literatura", explica Maciel.
Além da função artística do soneto, Eduardo Maciel reforça a função educativa do gênero. "Como são pequenos e têm rimas, é um excelente instrumento para introduzir a Literatura para as crianças", exemplifica ele, cujos sonetos do livro SonetATO, primeiro desta série, foram adotados por colégios da região metropolitana do Rio de Janeiro, assim como o SonetIMAGEM, acolhido como material paradidático por instituições educacionais como o Colégio Pedro II, também na capital fluminense.
SonetILUSTRA conquistou pelo Edital da Lei Aldir Blanc a possibilidade de produzir vídeo aulas sobre fluidez da arte, importância cultural da multidisciplinaridade de linguagens da arte interagindo, relevância dos sonetos e a relação entre poesia e qualidade de vida. Essas aulas serão veiculadas em toda a rede pública de ensino do município do Rio de Janeiro.
Outra novidade é o lançamento de um curta-metragem sobre este terceiro título, cujo lançamento virtual está previsto para fevereiro.
OS LIVROS
- SonetATO – lançado em 2018.
- SonetIMAGEM – lançado em 2019.
- SonetILUSTRA – 2020.
- SonetERROR - sonetos focados no gênero de suspense/thriller ou terror, até hoje apenas explorado em prosa e não em verso. A ideia é torná-lo público em feiras do gênero, como ativação.
- SonetONS - sonetos musicados com cifras para violão e QR code no livro para acesso às 50 músicas e show itinerante.
- SonetEMPERO – sonetos articulados com a temática da alimentação saudável, culinária entendida como arte e como promoção da saúde e do prazer na alimentação, para encerramento do projeto.
- SonetEATRO - sonetos conversando com artes cênicas. Haverá uma peça itinerante mediante inscrição em editais, na qual a fala dos personagens são os versos dos sonetos. Único que precisa ser lido em sequência, e onde todos os 50 sonetos serão do tipo italiano.
O AUTOR Eduardo Maciel canta, compõe, fotografa. Como poeta, encabeça este Projeto de sete livros para o resgate cultural dos sonetos. É co-autor na antologia de "O lado sombrio do Sitio", em alusão à obra de Monteiro Lobato, e "A Era dos Mitos" e "Noturno".
Acadêmico correspondente da Academia Internacional de Letras, Artes e Ciência, onde ocupa a cadeira 170, Eduardo Maciel é jurado de concurso literário no Diário da Poesia (categoria crônicas/adulto). Vencedor dos concursos literários Jovem Embaixador, Sarau Brasil 2019 (poesia), Almas em prosa e verso 2019 (na categoria poesia) e Poesia Agora 2019, tirou o sexto lugar no concurso poético "Paquetá em Prosa e Verso" e é um dos vencedores do concurso nacional "Poetize 2020".
Assinou a curadoria da "EXPO SonetIMAGEM", colabora com a Revista Kuruma'tá, escreve roteiros de teatro e é intérprete de samba-enredo da GRESV Pau no Burro, julgador de bateria do Carnaval Virtual no Rio de Janeiro e componente da Ala Cheyenne do Cacique de Ramos.
O ILUSTRADOR Robson Sark é artista visual, grafiteiro, tatuador, customizador de objetos, pintor, desenhista e ilustrador. SERVIÇO Editora: Autografia |
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021
Fwd: Emissão especial marca ano internacional de eliminação do trabalho infantil
De: MT - Correios - Imprensa - Caixa Postal <mtimprensa@correios.com.br>
Date: sex., 29 de jan. de 2021 às 15:30
Subject: Emissão especial marca ano internacional de eliminação do trabalho infantil
To:
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| Emissão especial marca ano internacional de eliminação do trabalho infantil Neste sábado (30), entra em circulação a emissão especial que marca 2021 como o Ano Internacional de Eliminação do Trabalho Infantil, em apoio às ações da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Ministério Público do Trabalho (MPT). No edital de lançamento, Martin Georg Hahn, diretor do Escritório da OIT no Brasil, destaca que, além de ilegal, o trabalho infantil priva crianças e adolescentes de uma vida normal, impedindo-os de frequentar a escola, estudar e desenvolver, de maneira saudável, as suas capacidades e habilidades. A eliminação desse problema é uma das prioridades da atuação da OIT, em sua missão de promover a justiça social e o trabalho decente para todas as pessoas. Já o procurador-geral do Trabalho (MPT), Alberto Bastos Balazeiro, e a coordenadora nacional da Infância (MPT), Ana Maria Villa Real, lembram que a Constituição Federal, em seu art. 227, estabelece ser dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde e à educação, entre outros, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
A emissão – Com arte de Lídia Marina Hurovich Neiva (Correios), os selos – nos modelos gomado e autoadesivo – são ilustrados com várias crianças juntas, representando a diversidade, e a hashtag da campanha #ChegadeTrabalhoInfantil. A parte esquerda dos selos possui o desenho de um cata-vento colorido de 5 pontas, símbolo mundial da luta contra o trabalho infantil. Foram usadas técnicas de ilustração vetorial e computação gráfica. O selo couchê autoadesivo tem tiragem de 1 milhão de unidades. A versão couchê gomado, 160 mil unidades. Ambos, com valor de 1º Porte da Carta. A emissão estará disponível na loja virtual e nas agências dos Correios de todo o Brasil. |
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
Sutilmente
Espero que tudo acabe sutilmente:
Que o céu desabe sobre a terra
E o planeta caia no vão do universo infinito.
quinta-feira, 23 de julho de 2020
Exposição Virtual Coletiva Corpus Pretus
Da Assessoria | A Exposição Virtual Coletiva Corpus Pretus reunirá virtualmente sessenta e quatro artistas (64) de Mato Grosso e outros estados brasileiros como Bahia, Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraná,São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, além de uma artista brasileira residente na Alemanha. Amostra terá obras em pinturas, fotografias, colagens, aquarelas, artes digitais, esculturas, xilogravura, técnicas mistas, performances de cantorias e poesias, que manifestam a potência criativa das raízes africanas em nossa cultura.
A plataforma virtual será lançada no Sarau de abertura nestesábado, 25de julho de 2020às 19horas (horário de Cuiabá MT) na plataforma Google Meet no seguinte link https://meet.google.com/gun-fraf-mfq. Data importante para o movimento negro, pois é comemorado "Dia de Tereza de Benguela" e "Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha".
A exposição é a primeira atividade do Centro Cultural Casa das Pretas e marca as comemorações do mês julho das pretas. A Casa das Pretas écoordenada por Paty Wolff em co-gestão colaborativa de Gilda Portella, Natália Nogueira, Isabella Ferreira, Antonieta Costa, Jackeline Silva e Juliana Segóvia. A Casa das Pretas é fruto de um sonho gestado dentro do Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (IMUNE MT) em promover e dar visibilidade principalmente a artistas negros e negras de Mato Grosso.
Com o tema"Corpus Pretus", quer ressignificar o olhar do expectador sobre os "Corpus pretus" marcados, torturados física e emocionalmente pela Diáspora Africana e período escravocrata no Brasil, que reverbera ainda nas relações sociais. "Corpus pretus"invisibilizados e sem representantes nos espaços de poder. Visões estereotipadas, que hiper sexualizam esses corpus. Enxergar "Corpus Pretus" com afeto, respeito e empatia, eis o resultado do novo olhar descolonizado. "Corpus pretus"merecedores de autoestima, dignidade e oportunidades, com suas múltiplas identidades reconhecidas.
Assinam a curadoria da exposição Paty Wolff (artista visual e geógrafa) e Gilda Portella (artista visual e historiadora).
Para Paty Wolff, "é cada vez mais necessário canais de comunicação aberto às artes criadas para artistas negros e aqueles, que subscrevem suas artes em não reafirmar o padrão excludente. Além disso, os artistas necessitam de visibilidade de suas obras, e o mundo virtual é um reinventar-se neste momento de pandemia do COVID-19".
Para Gilda Portella a exposição "permitirá ao expectador se sensibilizar com a multiplicidade afro-brasileira em vários saberes e fazeres artísticos, percebendo quão rico e múltiplo é o berço africano, formador da força do patrimônio cultural brasileiro."
A seguir, os artistas participantes: Ade Moreira, Adelina Barcelos, Airton Reis, Amanda Bambu, Ana Cacimba, Andréa Penha, Anna Maria Moura, Antônio Carlos Ferreira (Banavita), Barbra. Ilustra, Carina Valéria, Karla Mesquita, Célia Soares, Clau Costa, Cláudia Lara, Cléia Melo, Cunto Neto, Denissena, Diego Roberto de Oliveira Freitas, Dilson de Oliveira, Elaine Fogaça, Eliana Brasil, Érica Bastos, Eugênia Santana Goulart, Fred Gustavos, Helenice Faria, Isla Castro, Jacinaila Ferreira, Janaina Monteiro, Jefferson Gomes, Jenifer Costa, João Almeida, Karla Mesquita, Kênia Coqueiro, Laine Machado da Silva, Leandro Guimarães, Leandro Kelven, Leonardo Leoni, Letícia de Oliveira, Lia Amazonas, Lindalva Alves, Lourdes Duarte, Luana Soares de Souza, Luara Caiana, Lupita Amorim, Maria Fernanda Ferreira, Marta Azevedo, Meg Marinho, Miriam Venâncio, Murilo Kauê, Nhantumbo'space, Raimundo Mario Bomfim Passos, Raquel Bacelar, Raquel Silva, Regina Ortega Calazans, Rita Delamari, Rosângela Maria de Jesus, Rosylene Pinto, Sara Maria, Silvana Maris, Silvia Turina, Sônia Nigro, Sophia Cardoso, Terezinha Malaquias, Vanney Neves e Vera Paixão.
Realização
Centro Cultural Casa das Pretas
Instagram @casadaspretasmt
quinta-feira, 16 de julho de 2020
quinta-feira, 9 de julho de 2020
O Coophema Sem Marília Beatriz de Figueiredo Leite
depois da partida de Marília Beatriz
Cuiabá pós-pandemia, sem Marília
não será a mesma, nem a Academia
Tudo que nos consome é a dor da partida
a dor da não despedida, a dor não repartida
– O coronavírus, vamos combinar, é uma merda
O Coophema sem Ricardo Dicke e sem Marília
virou um bairro comum, sem graça, sem poesia.
terça-feira, 7 de julho de 2020
Adensamento Urbano Pós-Pandemia, artigo de José Lemos
Por José Antônio Lemos | Preconizado nas últimas décadas pelo Urbanismo e agora contestado pela pandemia da Covid-19, o adensamento urbano foi um dos destaques em recente discussão virtual promovida pela Academia de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso – AAU/MT. Esta discussão envolvendo saúde e desenvolvimento urbano vem pelo menos desde meados do século XIX, com o avanço da Revolução Industrial e o surgimento das primeiras metrópoles, cidades medievais crescidas em tamanho e população sem quaisquer cuidados, em especial os sanitários. Deu em colapso forçando as primeiras leis urbanísticas, que, por sinal foram leis sanitárias, em Londres e Paris. Daí essas discussões não pararam mais.
A Carta de Atenas em 1933 falava em densidades entre 250 a 300 hab/ha, o que jamais chegou a ser consenso. Enquanto Frank Lloyd Wright propunha 10 hab/ha em sua Broadacre City, Le Corbusier, defendia 3.000 hab/ha em seu Plano Voisin. Cuiabá tem uma densidade urbana bruta próxima a 24 hab/ha, cerca de 1 décimo da prevista pela Carta de Atenas! Há alguns anos Cuiabá tinha quase 50 mil lotes urbanos oficiais ociosos com moradores esparsos, mas com arruamento e, possivelmente, água e energia elétrica, o mínimo exigido para se implantar um loteamento na época, pois os moradores ainda que esparsos também tem direito a eles. Tem até glebas urbanas em algumas avenidas principais. Ônibus e caminhões de lixo andando a mais, tubulações, fiações, serviços, iluminação pública desperdiçados, encarecendo operacionalmente a cidade! Impede a elevação dos padrões urbanísticos.
As cidades são como organismos vivos. Com suas peculiaridades, cada cidade é única. Cidades-tipo só existem na teoria e soluções-tipo também só podem existir na teoria como padrões de referência geral para discussões em tese, mas sua aplicação tem que ser individualizada pelo urbanista e com a ciência do Urbanismo, conforme cada caso. Por exemplo cidades com risco de terremotos tendem a ser espraiadas (México, Los Angeles). Cidades muito planas favoráveis a alagamentos, como nossas belas cidades do agronegócio, sugerem a compacidade e o consequente adensamento para redução da área de captação das chuvas.
Densidades muito baixas se referem à cidades com infraestrutura ociosa. Para estas sempre falaremos em aumentar a densidade urbana ao menos como forma de reduzir os custos operacionais da cidade. Por isto a Lei do Uso e Ocupação do Solo Urbano de Cuiabá em 1997 adotou o paradigma de "crescer para dentro", como estratégia para a ocupação de seus espaços vazios e otimização da infraestrutura existente. A mim a estratégia continua correta. Mas, adensar até quando? Até quando a curva do custo operacional da cidade cruzar com a das deseconomias ou desconfortos urbanos, dependendo do estudo de cada caso. A grande maioria das cidades brasileiras está muito longe disso e o imperativo do adensamento racional deve permanecer, acompanhado dia a dia pelos profissionais competentes. Mantidos o atual perímetro e o ritmo oficial subestimado de crescimento populacional, Cuiabá levaria cerca de 80 anos para dobrar sua densidade. Mesmo assim, ainda que lento, é melhor reduzir custos do que aumentar.
Sem esquecer a dimensão política, a cidade é um objeto técnico complexo que se transforma cotidianamente e deve ser tratada tecnicamente de forma sistemática e permanente. Espero que uma das grandes transformações trazidas pela pandemia seja a do próprio homem na sua forma de ver a cidade e o Urbanismo, sua ciência. E em especial transforme a nós próprios, arquitetos e urbanistas, para que assumamos enfim a responsabilidade de protagonistas como orientadores do cidadão na construção da cidade, sua grande casa e seu bem maior.
JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é conselheiro licenciado do CAU/MT, acadêmico da AAU e professor aposentado.
domingo, 5 de julho de 2020
Deu na Folha de S. Paulo
Por Ranier Bragon / Camila Mattoso
O modelo de gestão incluiu ainda exonerações de auxiliares que eram recontratados no mesmo dia, prática que acabou proibida pela Câmara dos Deputados sob o argumento de ser lesiva aos cofres públicos.
Bolsonaro em seu gabinete, na Câmara dos Deputados, no dia do anúncio da vitória de Donald Trump, em 2016; já nessa época ele se comparava ao norte-americano e se dizia muito feliz com o resultado eleitoral nos EUA - Ranier Bragon/Folhapress - 9.nov.2016
A Folha se debruçou nos últimos meses sobre os boletins administrativos da Casa, identificando uma ação contínua. De um dia para o outro, assessores chegavam a ter os salários dobrados, triplicados, quadruplicados, o que não impedia que pouco tempo depois tivessem as remunerações reduzidas a menos de metade.
Mesmo assim, dois deles disseram à reportagem nem mesmo se lembrar dessas variações formalizadas pelo gabinete de Jair Bolsonaro.
Nove assessores de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) que tiveram o sigilo quebrado pela Justiça na investigação sobre "rachadinha" (desvio de dinheiro público por meio da apropriação de parte do salários de funcionários) na Assembleia Legislativa do Rio foram lotados, antes, no gabinete do pai na Câmara dos Deputados.
Ao menos seis deles estão na lista dos que tiveram intensa movimentação salarial promovida por Jair Bolsonaro quando era deputado federal.
É o caso da assessora Marselle Lopes Marques, que ficou cerca de um ano e meio lotada no gabinete de Bolsonaro, em 2004 e 2005.
Ela ingressou com um dos menores salários, R$ 261 (valores da época). Três meses depois, foi mudada de cargo e dobrou a remuneração. Com um ano, passou a ganhar o maior contracheque entre todos os assessores, R$ 6.011. Três meses depois, o salário foi cortado em 90%.
Nomeada posteriormente no gabinete de Flávio, no Rio, Marselle é uma das investigadas no suposto esquema de "rachadinha" na Assembleia.
Filha do policial militar aposentado Fabrício Queiroz (pivô do escândalo das "rachadinhas" e atualmente preso no Rio), Nathália Queiroz também passou por oscilações salariais no gabinete de Jair Bolsonaro até ser demitida, em 15 de outubro de 2018, mesmo dia em que seu pai foi exonerado por Flávio.
Como mostrou a Folha, ao mesmo tempo que era contratada na Câmara, ela atuava como personal trainer no Rio.
Outro exemplo é o de Walderice Santos da Conceição, a Wal do Açaí. Recordista das movimentações, ela passou por 26 alterações de cargos no gabinete de Jair Bolsonaro nos anos em que esteve lotada —de 2003 a 2018.
Wal foi flagrada pela Folha exercendo, na verdade, a atividade de vendedora de açaí em Angra dos Reis (RJ), onde Bolsonaro tem uma casa de praia. Após a revelação, o Ministério Público deu início a uma investigação.
Loja de açaí de Walderice Santos da Conceição, 49, em Mambucaba, Rio de Janeiro. - Lucas Landau - 3.mai.2018/Folhapress
Também chama a atenção o caso de Patrícia Cristina Faustino de Paula, que depois ingressou no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).
Patrícia foi registrada por Jair Bolsonaro em 2008 e sofreu 20 alterações de cargo. Entrou com um dos mais baixos contracheques, menos de R$ 1.000, atingiu R$ 8.040 em 2012, mas depois figurou na menor remuneração do gabinete (R$ 845), em setembro de 2013.
Até abril de 2003, essa montanha-russa funcional se dava por meio de exonerações de fachada, em que o auxiliar tinha a demissão publicada e, no mesmo dia, era renomeado para o gabinete, geralmente para outro cargo.
De acordo com o ato da mesa da Câmara 12/2003, a prática tinha como único objetivo forçar o pagamento da rescisão contratual dos assessores, com 13º salário proporcional e indenização por férias, não raro acumuladas acima do período permitido em lei.
Nos 12 meses anteriores à edição do ato, o gabinete de Bolsonaro registrou 18 exonerações de assessores que foram recontratados no mesmo dia —9 no mês anterior, sendo um deles na véspera da publicação da medida.
A partir de 2 de abril de 2003, a Câmara passou a só permitir a readmissão após 90 dias da saída e acabou com o pagamento de rescisão para trocas de cargos, que passaram a ser feitas pelos parlamentares sem necessidade de exoneração.
Com isso, o carrossel salarial no gabinete do hoje presidente da República caiu para menos da metade nos 12 meses seguintes à edição do ato, de 18 para 7.
"A atual sistemática vem provocando distorção que deve ser rapidamente eliminada, sob pena de agravarem-se os prejuízos financeiros já arcados pela Casa", diz texto de justificativa que acompanhou o ato da mesa, instância máxima de administração da Câmara.
"Servidores [...] recebem em pecúnia os períodos de férias não gozados, quando ocorre mudança de nível de SP [secretário parlamentar] ou CNE [cargo de natureza especial], momento em que são exonerados de um nível para serem nomeados em outro", diz.
"Mas esse procedimento contraria o objetivo preconizado nos arts. 7º da Constituição Federal e 78, § 3º da lei n° 8.112/90 [do servidor público], que é impor à administração pública o dever de indenizar as férias daqueles que se desliguem do órgão a que este estejam vinculados, de sorte que, inexistindo o efetivo desligamento, não se justifica indenizar o servidor", completa.
De acordo com integrantes da área técnica da Casa, a medida foi motivada ainda por outros agravantes: o de que deputados promoviam "caixinhas" em seus gabinetes com parte das verbas rescisórias dos auxiliares, em um esquema ganha-ganha, para o parlamentar e o assessor.
O deputado, que tem a responsabilidade sobre o controle de ponto de seus funcionários, deixava de registrar as férias tiradas por auxiliares, elevando de forma fraudulenta o valor gasto pela Câmara na hora do pagamento das rescisões.
Assim como fez com os boletins administrativos relativos ao gabinete de Bolsonaro, a Folha analisou todos os documentos relativos a outro ex-deputado do Rio, com mais tempo de Casa do que Bolsonaro, a título de comparação.
No caso de Miro Teixeira (Rede-RJ), deputado dos anos 1970 a 2018 (ele ficou licenciado em 2003 para ocupar o cargo de ministro das Comunicações), a situação se afigurou bastante distinta.
Nos mesmos 28 anos de Bolsonaro, ele promoveu número muito menor de trocas de cargos de funcionários de seu gabinete —107, de acordo com os boletins administrativos, contra ao menos 350 do hoje presidente.
No caso de Miro, a quase totalidade das trocas representam ajustes pequenos, não há praticamente nenhuma mudança salarial abrupta, como ocorreu de forma rotineira no caso do gabinete de Bolsonaro.
Deu no 247: Caso José Serra desaparece da imprensa brasileira
Polícia Federal e José Serra (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado | ABr) Menos de 48 horas da denúncia por lavagem transnacional de dinheiro, o tema deixa de ser assunto na imprensa
As investigações, conduzidas em desdobramento de outras frentes de trabalho da Lava Jato de SP, demonstraram que José Amaro Pinto Ramos e Verônica Serra constituíram empresas no exterior, ocultando seus nomes, e por meio delas, receberam os pagamentos que a Odebrecht destinou ao então governador de São Paulo. Nesse contexto, realizaram numerosas transferências para dissimular a origem dos valores, e os mantiveram em uma conta offshore controlada, de maneira oculta, por Verônica Serra até o fim de 2014, quando foram transferidos para outra conta de titularidade oculta, na Suíça.
Operação Revoada – Paralelamente à denúncia, a força-tarefa também deflagrou, nesta data, a Operação Revoada para aprofundar as investigações a respeito de outros fatos relacionados a esse mesmo esquema de lavagem de dinheiro em benefício de José Serra. Com autorização da Justiça Federal, oito mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em São Paulo (SP) e no Rio de Janeiro (RJ).
Até agora, a força-tarefa já detectou que, no esquema envolvendo Odebrecht e José Serra, podem ter sido lavados dezenas de milhões de reais ao longo dos últimos anos. Com as provas coletadas até o momento, o MPF obteve autorização na Justiça Federal para o bloqueio de cerca de R$ 40 milhões em uma conta na Suíça.
Em um momento de incertezas, a Força-Tarefa Lava Jato de São Paulo reafirma seu compromisso com um trabalho técnico, isento e sereno. As investigações seguem em sigilo.
Deu no DCM: Em 2009, como governador, José Serra inaugurou usina ao lado de Marcelo Odebrecht

sexta-feira, 26 de junho de 2020
sábado, 20 de junho de 2020
quarta-feira, 10 de junho de 2020
Isto Não é Um Poema
Isto não é um poema
só
desabafo
que não pude não
fazer e não pude fazer
de outra forma
que não fosse
assim
fatiando as frases
no espaço
aqui
hoje
eu vi
aterrorizado
um artista assassinado
Moa do Catendê,
mestre de capoeira,
autor do Badauê —
por conta de uma divergência política num bar
da Bahia
depois corri o dedo
sobre a tela e
vi e ouvi
arrepiado
Luiz Melodia
(também negro e compositor,
também com o cabelo rastafari,
como a vítima do post anterior)
cantando
“no coração do Brasil”
e repetindo muitas vezes
esse refrão
“no coração
do Brasil”
“no coração do Brasil”
que tento sentir
pulsar ainda
entre a luz de Luiz
e a treva
desse buraco vazio
que não pulsa mais no peito
de Moa do Catendê
e “não existe amor em SP”
ou “no coração do Brasil”
fraturado
nesses dias
brutos
de coturnos
chucros
a chutar a cara
de quem
ama
arte
cultura educacão
liberdade de expressão
diversidade
cidadania
solidariedade
democracia
mas não se dá
a mínima
o que importa é se subiu
a bolsa
caiu
o dólar
se todos vão prosseguir
seguindo
docilmente para o abismo
nessa insanidade coletiva
em que o Brasil nega
qualquer Brasil
possível
cega
qualquer futuro possível
e o ódio
o horror e o
ódio
e nada que se diga faz sentido
mais
para quê
expor na cara desses caras
a palavra explícita
(gravada em vídeo e repetida, repetida, repetida)
do seu “mito”
dizendo
“eu apoio a tortura”
“eu defendo a ditadura”
“eu vou fechar o congresso”
“não servem nem para procriar”
“não te estrupro porque você não merece”
“a gente vai varrer esses vagabundos daqui”
“o erro foi torturar e não matar”
“viadinho tem que apanhar”
etc etc etc etc etc
e tudo mais
que repete incansavelmente
há anos
ante câmeras e microfones
para quê mostrar de novo
e de novo
o mesmo nojo
se é justamente
por isso
que o idolatram?
e sempre haverá
os que vêm disfarçar
dizendo:
“estamos entre dois extremos”
“sim, mas veja a Venezuela”
“é para acabar com a corrupção”
“nós queremos segurança”
ou
“não é bem assim…”
enquanto constatamos cada vez mais
que sim,
é assim
mesmo, é assim
que é
mas
como li por aí:
“como explicar a lei Rouanet para quem
ainda não assimilou a lei Áurea?”
ou: como explicar a lei da gravidade
para quem ainda crê
que a terra é plana?
e querem defender sua ignorância com dentes
e garras
querem
matar atirar vingar
a quem?
em nome de quem?
(pátria, família, propriedade, segurança?)
se nessa seara não há direitos
nem respeito
ensino ou dignidade
só horror e
ódio, ódio
e horror
as palavras perdem a clareza
os valores perdem o valor
a vida perde o valor
Marielle
remorta remorrida rematada
por sua placa
rompida rasgada desonrada
pelas mãos truculentas de
brutamontes prepotentes
com suas camisetas estampadas
com a face do coiso
que redemonstra sua monstruosidade
quando vende
em seus próprios comícios
camisetas de outro
ultra-monstro
ustra
—
aquele que além de torturar
levava crianças para verem
suas mães torturadas
—
e esses mesmos
abomináveis
que, diante de uma claque vergonhosa,
se orgulham
de terem
rasgado as placas
com o o nome Marielle Franco
estão sim
agora
eleitos
satisfeitos
mas não saciados
de todo o sangue
de inocentes
que há de correr
só por serem
diferentes
excitando em outros
o desejo de exercer
seu obscuro
poder
de milícia polícia esquadrão da morte
e o anúncio da Rocinha metralhada
como solução
a barbaridade finalmente
institucionalizada
como diversão
o Brasil finalmente
sem coração
fora da ONU
e dos acordos internacionais pelo
meio-ambiente
sem controle
de sensatez ou mentalidade
sem limite humanitário
“não vai ter ong!”
“não vai ter ativismo!”
“não vai ter mimimi!”
bradam
cheios de si e de ódio
criminosos contra o crime
opressores pela família
amorais pela moral
apesar de todos
os alertas
da imprensa internacional
de esquerda, de centro, de direita
só não vê quem não quer
a tragédia anunciada
divulgada
não como boato
mas escancarada
-mente
enquanto
empoderados pelo discurso
de ódio
de horror e ódio
seus eleitores
já saem pelas ruas
dando tiros
e gritos
enxurradas de fakes
suásticas nazistas gravadas com canivete
na pele da menina
que usava “ele não” estampado na blusa
e a promessa de violência desmedida
se concretizando
antes mesmo de começar o segundo turno
e nem um centímetro de terra para os índios
e nem um pingo de direitos civis ou humanos
e a volta da censura e o ódio,
o ódio, o horror
e o ódio
pra encerrar de vez
o sonho de uma nação
que tem a chance
de dar ao mundo
sua contribuição
original
agora fadada a repetir o que de pior já houve
na história
sem história agora
sem Museu Nacional
nem cultura nem educação
abolir filosofia e arte
em seu lugar:
moral e cívica
escola militar
religião
geografia dos lucros e dividendos
massacre das minorias
horror e ódio
e ódio
e horror
crescente permanente enquanto dure
pois ninguém larga o osso assim tão fácil
depois de um golpe
que precisa parir outro golpe
ou autogolpe
alimentado por todas as fakes e facas
contra as costas de artistas
como Moa
mas na cabeça de quem apóia
tudo se justifica:
o fascismo
a tortura dos presos
o sumário julgamento sem juri
autorização dada à polícia
para matar
e o ódio aos pobres
as blitzes ostensivas
a guerra declarada
dos que aceitam assassinos para combater bandidos
se está tudo invertido mesmo
pobre elegendo milionário,
pelo avesso e ao contrário
então se autoriza a sórdida
barbárie
dos fortes contra os fracos
algo está muito doente
no Brasil
no descoração do Brasil
que mente, se omite, agride, regride
para avançar sem freios
em direção ao fascismo
seguindo a música hipnótica do
ódio,
horror e ódio
pregados em igrejas
em nome de Deus
e de Cristo
só desamor em nome de Cristo
violência e brutalidade em nome de Cristo
armas e tortura
e preconceito em nome de Cristo
de Deus e de Cristo
armar a população
para metralhar os adversários
os diferentes
os miseráveis
os favelados
os do outro lado
os que se manifestam
ou contestam
ou pensam de outra forma
ou se vestem
de outra cor ou tem
outra cor ou
qualquer pretexto
que se crie
para espalhar o ódio, o horror
e o ódio
do machismo ao estupro
da mentira ao linchamento
do homicídio ao genocídio
(“tinha que ter matado pelo menos trinta mil!”)
já sem democracia
palavra vazia
em boca
de quem compactua
(e não são poucos)
pensando ser
possível
alguma forma de
neutralidade
nesse momento
como Pilatos
lavando as mãos
a chamada mídia
tenta fazer média
ao dizer que os dois lados são igualmente
extremistas e perigosos
mas então
onde estavam nos últimos três mandatos
e meio
antes do pesadelo Temer?
estavam numa ditadura comunista
e não sabiam?
na verdade
todos sabem muito bem
que o extremismo
vem de um só
lado, que
quer se eleger para acabar
com eleições
e que o grande perigo é mesmo
esse jogo
de equivalências que,
na verdade
serve ao monstro
pois a omissão é missão impossível
neste agora
impossível
mascarar o sol
da ameaça
hostil e explícita
do nazismo
crescente
com a peneira furada
de um bom senso
mediano hipócrita indiferente
que sempre
vai dizer:
sim, mas a Venezuela…
como se não tivéssemos ouvido exatamente isso
em 64,
quando diziam:
— Sim, mas Cuba…
para justificar a ditadura militar
que tanto elogiam
hoje em dia
e que o atual
presidente
do nosso Supremo Tribunal Federal
decidiu
que agora vai chamar
de “movimento”
em vez de
“golpe militar”
para adoçar um pouco a boca
amarga
do sangue
impregnado
que não vai sumir assim
mudando a nomenclatura
desnomeando a já tão dita
“ditadura”
mas esse des-
-equilíbrio
ético
que diz
preferir uma autocracia
perfeita
a uma
defeituosa
democracia
esse
erro
que nenhum arrependimento será
capaz de reparar
quando for tarde
demais
ainda dá
para evitar
ainda
é tarde
de menos
para
conter
o ódio,
o horror e o ódio
ainda
dá
dd
a
d
